DE ONDE VEM A CAPACIDADE DE AMAR ALGUÉM QUE NÃO TE QUER?

Este é um dos temas que mais atendo por inbox.
Por que insistir com alguém que não te ama ? Por que é tão difícil superar, aceitar isso e enfrentar a realidade?

O que a está impedindo de cicatrizar uma ferida tão profunda, sabendo que essa dor muitas vezes pode ser insuportável?

Esse amor dói e é cego. Em algum momento, todos nós experimentamos a dor que poetas e compositores escrevem sobre essa coisa doentia que é amar o mal me quer. Geralmente, a trama gira em torno de alguém que ama outro alguém que não o ama de volta.

Sentir-se tão emocionalmente envolvido em algo e não querer enxergar o que está sendo dito é muitas vezes a dor mais insuportável que se pode sentir, mas é pura escolha permanecer com ela.

Aprendi em minhas idas e vindas, que há muitos graus de amor unilateral. Um deles é a obsessão.
Você é louco por alguém que nem sequer sabe o seu nome, se sabe, preferiria nunca ter sabido. Ou talvez você esteja loucamente apaixonada por um amigo ou conhecido que é, por uma razão ou outra, completamente inatingível.

Queria muito acreditar que isso só acontece nos filmes, mas, infelizmente, nossas mentes são ferramentas poderosas; se queremos algo ruim o suficiente, não precisamos de muito para continuar a acreditar que alguém está ao nosso alcance.

O reincidente é de longe o mais comum e o mais delirante dos amores. Agarram-se à esperança de que de alguma forma o “amor” será reavivado, estão dispostos a esperar para sempre porque simplesmente se recusam a acreditar que essa paixão tenha sido tão curta.

No começo do relacionamento, poderiam jurar que ninguém nunca havia experimentado o tipo de conexão que os dois tiveram. Ignoram todos os sinais, escritos em letras garrafais, dizendo que acabou e, apesar da dor esmagadora e noites passadas em claro, a menor parte do ser insiste em manter-se viva porque o próprio a eterniza.

A frase fatídica: Você é tudo de bom, mas não estou interessado, para quem ama platonicamente e manifesta sua eterna devoção é sentida como um tiro de fuzil.Para quem a proferiu, a mera atração parece não representar nada,mas por que deveria representar se não sente o mesmo? A rejeitada sem o mínimo de amor próprio às vezes ainda escuta o singelo: “Ah você é maravilhosa …, mas você não faz meu tipo.” Ou o pior, ” Somos tão bons amigos que estragaria nossa amizade.”

O que diferencia esse tipo de mulher, que faz questão de amar quem não a quer, do resto do mundo é que ela se alimenta de derrota e sua sobremesa é a obsessão; ela se afunda na miséria e se recusa a aceitar a rejeição.

Por que ela não pode apenas seguir em frente, dar a volta por cima, fazer a fila andar, escrever um novo capítulo?

O amor é um caleidoscópio de complexidade. Infelizmente, não posso descrever todas as razões que levam uma pessoa querer permanecer em uma armadilha tão dolorosa. Não consigo ver racionalidade nisso.

Seus amigos podem vomitar uma lista de razões pelas quais ela precisa seguir em frente mas ela prefere continuar lá. Essa é a pior fase da “doença” e precisa de mais intervenção. O comum é a pessoa estar completamente consciente de que precisa deixar de amar, mas ela simplesmente não pode e não quer saber como fazer.

Vou lhe dizer: É porque lá dentro ela alimenta o último raio de desejo por aquela pessoa. É como um câncer, que se multiplica ao mínimo sinal de esperança, que só ela vê, para a sua sobrevivência. E realmente, não importa quão grande ou pequeno, o dano em potencial, é sempre o mesmo.

Ela nunca admite, mas no fundo está se perguntando: “Como pode essa pessoa não a ver como a pessoa da vida dela? ” Esta maneira de pensar pode parecer bastante inofensiva, mas não é.

Na verdade, o ego a engana com a mensagem de que ela é boa demais para suportar tanta dor e rejeição e aí vem a obsessão. Não é preciso nada mais do que um pequeno empurrão e bum. Ela está de volta à terra da ilusão; mais uma vez ela fantasia que é tão boa que o cupido irá a qualquer segundo atingir seu amado e ele falará ao seu ouvido , “Eu estava errado … você é a única.”

Acorde, sua vida não é um poema e não será enredo de um dramalhão.Reaja!

Publicado por Papo Reto com Liliane Ribeiro

Liliane Ribeiro, autora incrível, com uma abordagem inspiradora e engraçada do universo feminino. Com 3 livros publicados no Brasil e Portugal. Seu primeiro livro faz parte do acervo da Biblioteca Nacional de Portugal.

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