Escolhi deixar você 

Quando eu escolhi te deixar ir, não houve grande momento de triunfo.
Não houve uma epifania terrível que mudou minha vida, onde a música tocou e o universo conspirou para trazer tudo para o meu bem.
Não havia conflito, nem tumulto nem luta. Nenhum argumento interno. Não houve o pesar de prós e contras. Nenhuma decisão a ser analisada até a morte – mesmo por mim, de  pensamentos repetitivos e intermitentes de semanas de pensamento obsessivo sobre cada resultado possível.
Havia apenas duas palavras, quando eu escolhi deixar você ir:
Não mais.
Não mais medirei o meu valor contra a sua opinião. Não mais serei pressionada pelas formas que você esculpiu para mim. Não mais direi ao meu coração para se acalmar, envergonhada de seu barulho. Não mais haverá sangue em meus pés das cascas de ovos nas quais pisei  tentando não dar causa para a sua desaprovação.
Não mais me sentirei angustiada pelas maneiras que você mal interpretou. Não mais vou lutar para justificar a intenção do meu coração. Não mais vou implorar para você ver, o meu verdadeiro eu – para me conhecer, para me amar, para você me valorizar.
Não mais vou viver a minha vida por você.
Quando eu escolhi te deixar ir, não houve nenhum encontro santo. As estrelas não caíram do céu e caíram nos oceanos. Não havia vento feroz que chacoalhava as paredes ou o fogo ardente que consumia tudo dentro de seu caminho destrutivo.

Havia apenas uma resolução silenciosa, a morte silenciosa de folhas que caem no chão enquanto a geada começa a desperdiçá-las.
E lá eu me encontrei, no terreno estéril onde você esteve uma vez; Cheguei a entender que deve haver inverno.
O inverno com todas as suas perdas, as suas tristezas, as suas libertações.
Deve haver um tempo para que as coisas velhas morram, para que coisas novas possam nascer.
Quando eu escolhi te deixar ir, foi para o meu eu ficar.
Eu aprendi a me amar mesmo quando você me fez sentir que eu não merecia nenhum amor. Para honrar minhas próprias necessidades, meu próprio coração e meu próprio potencial. Para seguir meu próprio caminho, não o seu. Para não ser puxada para trás, enquanto o meu espírito anseia por liberdade. 
Quando eu escolhi deixá-lo ir, eu fiz o café, saí para jantar fora, coletei meu correio e paguei as minhas contas. Não havia nada fora de lugar no exterior da minha vida ordinária – nenhuma mudança visível, nada de novo ou diferente. Apenas paz.
Houve apenas rendição. Um momento. Uma respiração.
Eu escolhi deixar você ir.
E ao fazê-lo, eu me escolhi. #PaporetoLiliane

Publicado por

Papo Reto com Liliane Ribeiro

Conselheira, espírito nômade, mediadora, inovadora, despudorada e bem-humorada é assim que me auto-defino. Escrevo o que sinto e o que penso sem a preocupação de agradar ao leitor. Escrevo para seres humanos que amam e querem ser amados sejam eles homens , mulheres, heterossexuais, homossexuais, trans, ricos ou pobres. A linguagem do amor é universal ela não faz distinção de pessoas, basta estar vivo para morrer de amor. Talvez seja exatamente por isto que as pessoas se identificam com a minha linguagem. O meu objetivo é empoderar pessoas para que elas não caiam nas ciladas que a paixão nos prepara e se caírem, que se levantem o mais rápido possível para seguirem a viagem insólita que é a busca do par perfeito.

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