Eu tentei. 

Pelo menos eu posso dizer que não desisti. Eu não me afastei como você fez e eu não deixei que seus medos ou suas desculpas chegassem a mim porque simplesmente todas as experiências pelas quais passei deixaram em mim resiliência. 
Pelo menos eu posso dizer que tentei conhecê-lo, tentei conhecê -lo bem. Eu tentei atuar como amiga e como  amante. Juro que tentei.
Pelo menos eu posso dizer que lutei por você, não deixei as coisas pequenas entrarem no caminho. E disse sim , quando a experiência dizia não .
Pelo menos eu fiz um esforço. Eu tentei fazer você sentir que você não precisa mudar quem você é .
 Mas você, onde você procurou estar?

Por que todas as minhas fotos não tem você? Por que todos estão buscando e se envolvendo, querendo chegar cada vez mais perto enquanto você sempre está perdendo terreno?
Onde você estava quando eu estava sozinha? Onde você estava quando precisei de uma mão para segurar?
Por que você é conhecido por sua ausência enquanto eu sou conhecida pela minha presença? Por que você se define pelo vocábulo deixando e eu estou definida pelo vocábulo ficando?
Nos filmes da minha vida eu me recuso a ser esse personagem secundário ou aquela  que vem para apimentar as coisas.
Eu me recuso a ser outro “curta metragem ” em seu filme. Eu me recuso a ser o personagem com o qual as pessoas simpatizam com um certo pesar porque  sabem o final do filme.
Quero um ator que faça um filme inteiro sobre mim. Caso contrário eu faço o meu.
Porque esse era o meu filme e queria muitas cenas com você, eu queria que o final fosse tudo sobre você, mas você não conseguiu desempenhar a cena ainda no ensaio e sequer chegou no meio do caminho. Não conseguiu manter o papel principal.
Mas, pelo menos, depois de tanto tentar decidir parar de assistir a esse filme, posso dizer que tentei. Posso dizer que usei todas as ferramentas e elementos existentes para ter você, mas me dei conta de que você nunca realmente quis esse papel. 
A indecisão trouxe a distância física do toque, do carinho e presença  mesmo na ausência . É por mais que eu quisesse sentir toda a emoção da cena, acabei sendo contagiada pela frieza da penúltima gravação em um dia que deveria ter sido especial e não foi. Foi frio, sem perfume, sem toque , foi insípido .
Pelo menos eu posso dizer que não fui eu que não dei sequência. Tentei mais uma vez. As cenas do dia seguinte poderiam ter sido diferentes, sem o incentivo etílico mas com a certeza racional do querer fazer acontecer. 
Mas você, o que você vai dizer quando se  perguntar o porquê ? Como você vai explicar por que você matou meu personagem muito cedo? Como você vai fazer o seu lado da sua história mais credível? Como você vai explicar o final quando você nem quis ver o começo? 
Talvez como tem explicado até agora: “esse roteiro não tinha a ver.”
Boa sorte em sua eterna busca por carinho sem demonstrá-lo,  por romance sendo  ausente , pela cena perfeita sem o repasse do texto.  -LilianeRibeiro

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