NA CONTAGEM REGRESSIVA

Cristãos conservadores e pessoas LGBTQ não precisam ser inimigos.

Vivo observando, embora cada vez menos, graças a Deus, os surtos de uma batalha entre as duas comunidades que eu chamo de minha: cristãos e LGBT.

Estou noiva e me casarei no final do mês e é doloroso saber que com tanto esclarecimento, pesquisas científicas e históricas ainda existam pessoas LGBTQ vulneráveis em todo o mundo vivendo em comunidades onde podem ser demitidas por causa de sua orientação sexual ou ter a sua moradia negada por causa de sua identidade de gênero.

E essas atitudes em sua maioria vêm de onde não deveriam vir- dos que se dizem cristãos.

Certamente, há uma maneira de superar essa divisão. Como uma mulher em breve casada com outra mulher e com profunda fé cristã, graças a Deus a minha fé e a graça do Pai independe do que você pensa ou do preconceito de todos.

Precisamos resolver esse conflito de uma forma que afirme o valor e a dignidade de todos os envolvidos.

Tanto os cristãos conservadores quanto as pessoas LGBTQ rejeitam a idéia de um compromisso, por um bom motivo: não confiam uns nos outros. E as duas partes possuem motivo de sobra para isto.

Contudo não se deve generalizar as atitudes de revolta de certos grupos, como também não podemos por exemplo, odiar a igreja católica pela prática pedófila de alguns de seus líderes. Como não podemos dizer que todos os pastores evangélicos são ladrões.

Costumamos dizer que gostaríamos de viver em um país onde todos os cidadãos fossem livres para adorar de acordo com sua consciência e onde todos os cidadãos fossem protegidos da discriminação.

Se quisermos viver em uma sociedade que ofereça a máxima liberdade ao maior número possível de pessoas, cada lado terá que se esforçar.

Os seres humanos não precisam guerrear , sabendo que são livres para viverem alinhados segundo suas convicções.

Podemos coexistir de maneiras que todos honrem e respeitem aqueles que são diferentes como diz a Bíblia. Mas não podemos fazê-lo se procurarmos sempre oportunidades para provocar e ofender uns aos outros.

Durante a crise da AIDS, os líderes da direita religiosa disseram que a doença era o julgamento de Deus sobre os gays. Os pastores incentivaram os pais a enviar seus filhos para a terapia de conversão. Líderes religiosos diziam que o final do homossexualismo era inferno, sem o contexto histórico e sem autoridade para julgamento, esquecendo da graça divina, àquela mesma que o ladrão da cruz foi agraciado. Pregavam sobre a abominação, que eles eram e a vergonha para suas famílias deixando claro que eles não eram desejados entre a comunidade de cristãos.

Não é difícil entender por que as pessoas LGBTQ não confiam em cristãos conservadores o suficiente para trabalhar em prol de um compromisso.

O ônus recai sobre os que se dizem cristãos para mostrar que realmente desejam viver segundo a palavra em um mundo onde todos sejam tratados com dignidade e respeito.

Até onde eu sei o coração da nossa fé está no chamado de Jesus para amarmos os nossos irmãos mais do que a nós mesmos, e isso inclui pessoas com as quais não concordamos, pessoas de quem não gostamos e pessoas que nos deixam desconfortáveis. Os cristãos mais conservadores precisam aprender a conviver com as pessoas que eles acham serem pecaminosas sem violar a interpretação que eles dão às Escrituras.

Isso significaria viver em uma sociedade que protege as pessoas da discriminação e honra a liberdade de todas as pessoas viverem de acordo com sua consciência.

É possível querer o bem das pessoas do lado oposto, ao mesmo tempo em que lutamos pelo que acreditamos em nossas próprias comunidades.

Publicado por

Papo Reto com Liliane Ribeiro

Conselheira, espírito nômade, mediadora, inovadora, despudorada e bem-humorada é assim que me auto-defino. Escrevo o que sinto e o que penso sem a preocupação de agradar ao leitor. Escrevo para seres humanos que amam e querem ser amados sejam eles homens , mulheres, heterossexuais, homossexuais, trans, ricos ou pobres. A linguagem do amor é universal ela não faz distinção de pessoas, basta estar vivo para morrer de amor. Talvez seja exatamente por isto que as pessoas se identificam com a minha linguagem. O meu objetivo é empoderar pessoas para que elas não caiam nas ciladas que a paixão nos prepara e se caírem, que se levantem o mais rápido possível para seguirem a viagem insólita que é a busca do par perfeito.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s